Uma
das melhores maneiras de nos prepararmos para o futuro é conhecendo o
passado.
Não
basta só honrarmos nossos antepassados, preservando suas obras, seus
documentos, seus pertences ou homenajeando-os com nomes de ruas.
É
preciso entender como viviam.
Já
existem diversos registros sobre a vida dos imigrantes que aqui aportaram,
mas nos faltava um relato do que aconteceu em seguida, sobre como foi a
transformação de uma vila de agricultores e artesões numa grande cidade
progressista, de expressão mundial.
Hoje o hamburguense Carlos Luiz Poisl deixa a sua contribuição numa
ficção.
Uma
novela onde o desenrolar dos acontecimentos acaba misturando personagens
fictícios com figuras expressivas da nossa sociedade.
Estes empresários, comerciantes e políticos, que se destacaram por sua
visão muito além do aqui e agora, estas pessoas com um espírito
comunitário muito especial, estes empreendedores que sabiam da importância
de investir no novo, são citados naturalmente, seja numa conversa de bar,
seja na descrição minusciosa de algum fato marcante na vida da comunidade.
Na
verdade, no romance Amigos, o verdadeiro herói é o cidadão hamburguense, o
gaúcho, o brasileiro, independente de sua origem. Cada personagem, real ou
fictício, aparece nas páginas do livro simplesmente por sua importância em
determinado momento da narrativa.
Um
pouco da paixão, da vontade de mudar, das alegrias e tristezas, das
vitórias e também dos fracassos destes hamburguenses, hoje é resgatada por
alguém que também é personagem da nossa história, alguém que não só viveu
a época, mas participou diretamente de muito dos acontecimentos relatados.
A
atividade principal de um tabelião é registrar verdades. Faz parte de sua
formação o desenvolvimento da capacidade de interpretação dos fatos,
tirando deles somente o essencial, a real intenção, que, depois de
registrada, passa a ser verdade garantida pela sua imparcialidade, isenção
e retidão.
Para melhor entender a vontade de cada um, o tabelião precisa ouvir e
Poisl ouviu muitas, muitas histórias. As histórias que fizeram a história
do desenvolvimento de Novo Hamburgo.
Os
leitores que viveram os fatos relatados no livro, vão poder voltar no
tempo, brincando de roda nos recreios dos colégios, esperando na bicha do
trem, lendo os reclames nos jornais, escutando as novelas, dançando nos
salões das nossas sociedades.
Os
mais novos vão poder entender um pouquinho do porquê de esta nossa Novo
Hamburgo continuar se destacando como uma comunidade ativa e progressista,
mesmo sofrendo mais percalços do que facilidades, numa época de
fantásticas mudanças sociais, políticas e econômicas.
Mais do que um registro minucioso e coloquial da vida de uma comunidade,
Amigos é uma ato de amor por uma cidade.
É
desejo de todos que participaram da organização desta festa, que cada um
dos amigos possa sentir um pouquinho do gosto do passado,
seja lembrando de um fato narrado no livro...
seja circulando por paredes, janelas, móveis e quadros da época...
seja saboreando alguma guloseima daqueles tempos...
ou
ouvindo uma música já esquecida...
e,
por que não, tomando um gole de spritzbier...
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